

O pé diabético é uma das complicações mais sérias do diabetes — e também uma das mais evitáveis. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 15% das pessoas com diabetes desenvolvem úlceras nos pés ao longo da vida, e essa condição é responsável por mais de 70% das amputações de membros inferiores realizadas no Brasil. Por isso, entender o problema e agir cedo faz toda a diferença.
O pé diabético é uma complicação do diabetes não bem controlado. Com o tempo, o excesso de glicose no sangue danifica os nervos (neuropatia) e os vasos sanguíneos (angiopatia) dos membros inferiores. Isso faz com que a pessoa perca gradualmente a sensibilidade nos pés — e não perceba ferimentos que, sem cuidado adequado, podem evoluir para úlceras graves.
Não é algo que acontece da noite para o dia, e dá para prevenir. Por isso, controlar os níveis glicêmicos é fundamental para que o diabetes não se desdobre no pé diabético. Caso o descontrole seja constante, a pessoa poderá desenvolver feridas, bolhas, trombose e até isquemias.
Os sintomas mais comuns envolvem os pés e as pernas. Fique atento a qualquer um destes sinais:
Qualquer ferimento nos pés merece atenção redobrada. Quando a pessoa com diabetes perde a sensibilidade, um pequeno corte ou bolha pode passar despercebido por dias — tempo suficiente para a ferida se infectar e agravar. Esse é o principal sinal de que o descontrole do diabetes está evoluindo para um quadro mais sério. Se você identificar qualquer ferimento, procure avaliação especializada imediatamente.
Quer entender por que algumas feridas se tornam tão difíceis de cicatrizar? Leia também: Por que existem feridas que não cicatrizam?
Controlar a taxa glicêmica é o passo mais importante. De acordo com a SBD, manter a hemoglobina glicada (HbA1c) dentro das metas estabelecidas pelo médico reduz significativamente o risco de complicações nos pés. Esse controle só é possível com acompanhamento médico regular.
A pessoa deve checar os próprios pés todos os dias, de preferência com boa iluminação e com ajuda de um familiar se necessário. Procure por ferimentos, frieiras, calos, bolhas, rachaduras ou qualquer alteração na cor da pele. Além da autoavaliação, o médico deve examinar os pés do paciente em toda consulta.
Lave os pés com água morna (nunca quente, para evitar queimaduras) e seque bem, principalmente entre os dedos, com uma toalha macia e sem esfregar. Hidrate a pele diariamente com creme adequado, evitando aplicar entre os dedos.
O uso de meias protege os pés de atrito e lesões. Prefira meias de algodão ou lã, sem costuras internas, e evite tecidos sintéticos como nylon, que podem causar calor e umidade excessivos.
Lave e seque bem os pés antes de cortar as unhas. Use alicate apropriado ou tesoura de pontas arredondadas. Corte as unhas de forma reta, deixando os cantos levemente arredondados, e não retire a cutícula. Prefira sempre um podólogo, informando sobre o diagnóstico de diabetes para que os cuidados especiais sejam tomados.
Use calçados fechados, macios e confortáveis, que ofereçam proteção sem apertar. Mulheres devem optar por saltos baixos e quadrados (no máximo 3 cm). Evite calçados sintéticos, abertos, com ponta fina ou salto alto. Existem hoje calçados específicos para pessoas com diabetes — converse com seu médico sobre a indicação certa para o seu caso.
Com informação e hábitos simples, é possível evitar a maior parte das complicações do pé diabético. Se você tem diabetes ou cuida de alguém com esse diagnóstico, compartilhe este conteúdo — ele pode fazer a diferença na qualidade de vida de quem precisa.
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